segunda-feira, 5 de abril de 2010

Rubrica

O suicídio recente de uma criança e de um professor, fruto da violência em meio escolar, leva-nos a ter de enfrentar este preocupante fenómeno. Já não é só a violência “às claras” que nos deve inquietar, mas a violência psicológica, subtil, que se apodera de nós todos os dias, sobretudo dos mais jovens, ao ponto de os transformar em vítimas e em agressores.
Que condições reunirá a sociedade em que vivemos, assim como os novos modelos de vida, para que nos tornemos mais violentos, de tal modo que a violência no meio escolar chegue ao ponto de gerar mortes?
Não podemos deixar de atender à incoerência dos modelos de educação. À família cabe o primeiro lugar na educação de uma criança, pelo que pai e mãe devem estar de acordo com o tipo de educação a dar aos seus filhos, agindo como figuras de referência. Se isso não acontece, acrescentando-se-lhe a violência explícita na televisão e na internet, gera-se confusão na criança ou no jovem. Crianças expostas a ambientes de famílias disfuncionais estão mais propensas à violência e a reproduzi-la noutros contextos.
Também a insegurança vivida à escala mundial, o secularismo ou o relativismo de valores esbateram a consciência moral; e a culpa, a noção de bem/mal foram-se esbatendo também, não havendo limites muito claros para o agir humano. O individualismo parece ter-se tornado na moeda de troca mais comum nas relações sociais, o que é preocupante.
Família e consciência moral: pensemos como os transformámos ou antes deformámos. Serão a ponta do iceberg de um fenómeno que recusamos enfrentar? Pensemos nisto.

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