segunda-feira, 5 de abril de 2010

Rubrica

São raras as estatísticas e notícias que não se ouçam sobre Portugal em que não se diga que estamos atrasados. Parece estarmos perpetuamente atrasados! O último estudo do Instituto Nacional de Estatística sobre a Educação em Portugal confirma, mais uma vez, esta triste realidade. E eis que leis e medidas avulsas pretendem elevar os níveis de literacia do país! Por muito boa que seja a ideia de elevar esses níveis, Portugal não pode resignar-se somente a legislar e a esperar que, de um momento para o outro, as crianças deste país aprendam, e até os pais delas que já não tinham aprendido.
Elevar os níveis de literacia implica pensar na melhor forma de qualificar todos, mas com qualidade. Ora, para isso, em Educação, é necessário que as crianças tenham um ambiente e métodos adequados para aprender e que, o Ministério da Educação, as famílias e os professores cumpram, cada um, com o seu dever. Não queiramos, por conveniência dos dados estatísticos, diminuir o grau de exigência dos cursos (como os profissionais) ou eliminar disciplinas basilares e que exigem muito trabalho (como a Literatura, o Latim, a Matemática ou a Física), ou, não daqui a muitos anos, no 12.º ano, andarão os professores a leccionar matérias que competiam a outros níveis de ensino.
Os números espelham a decadência do ensino em Portugal, mas reflectem apenas uma parte da nossa realidade. A qualidade e a exigência têm de ser restauradas. Se assim não for, em vez de 50 anos, ficaremos 100 ou mais atrasados.

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