segunda-feira, 1 de março de 2010

Contra a escola-armazém

Merece toda a atenção a proposta de escola a tempo inteiro (das 7h30 às 19h30?), formulada pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). Percebe-se o ponto de vista dos proponentes: como ambos os progenitores trabalham o dia inteiro, será melhor deixar as crianças na escola do que sozinhas em casa ou sem controlo na rua, porque a escola ainda é um território com relativa segurança. Compreende-se também a dificuldade de muitos pais em assegurarem um transporte dos filhos a horas convenientes, sobretudo nas zonas urbanas: com o trânsito caótico e o patrão a pressionar para que não saiam cedo, será melhor trabalhar um pouco mais e ir buscar os filhos mais tarde.
Ao contrário do que parecia em declarações minhas mal transcritas no PÚBLICO de 7 de Fevereiro, eu não creio à partida que será muito mau para os alunos ficar tanto tempo na escola. Quando citei o filme Paranoid Park, de Gus von Sant, pretendia apenas chamar a atenção para tantas crianças que, na escola e em casa, não conseguem consolidar laços afectivos profundos com adultos, por falta de disponibilidade destes. É que não consigo conceber um desenvolvimento da personalidade sem um conjunto de identificações com figuras de referência, nos diversos territórios onde os mais novos se movem.
O meu argumento é outro: não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez...) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora do almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais?
Importa também reflectir sobre as funções da escola. Temos na cabeça um modelo escolar muito virado para a transmissão concreta de conhecimentos, mas a escola actual é uma segunda casa e os professores, na sua grande maioria, não fazem só a instrução dos alunos, são agentes decisivos para o seu bem-estar: perante a indisponibilidade de muitos pais e face a famílias sem coesão onde não é rara a doença mental, são os promotores (tantas vezes únicos!) das regras de relacionamento interpessoal e dos valores éticos fundamentais para a sobrevivência dos mais novos. Perante o caos ou o vazio de muitas casas, os docentes, tantas vezes sem condições e submersos pela burocracia ministerial, acabam por conseguir guiar os estudantes na compreensão do mundo. A escola já não é, portanto, apenas um local onde se dá instrução, é um território crucial para a socialização e educação (no sentido amplo) dos nossos jovens. Daqui decorre que, como já se pediu muito à escola e aos professores, não se pode pedir mais: é tempo de reflectirmos sobre o que de facto lá se passa, em vez de ampliarmos as funções dos estabelecimentos de ensino, numa direcção desconhecida. Por isso entendo que a proposta de alargar o tempo passado na escola não está no caminho certo, porque arriscamos transformá-la num armazém de crianças, com os pais a pensar cada vez mais na sua vida profissional.
A nível da família, constato muitas vezes uma diminuição do prazer dos adultos no convívio com as crianças: vejo pais exaustos, desejosos de que os filhos se deitem depressa, ou pelo menos com esperança de que as diversas amas electrónicas os mantenham em sossego durante muito tempo. Também aqui se impõe uma reflexão sobre o significado actual da vida em família: para mim, ensinado pela Psicologia e Psiquiatria de que é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não faz sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja. Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família.
Aos professores, depois de um ano de grande desgaste emocional, conviria que não aceitassem mais esta "proletarização" do seu desempenho: é que passar filmes para os meninos depois de tantas aulas dadas - como foi sugerido pelos autores da proposta que agora comento - não parece muito gratificante e contribuirá, mais uma vez, para a sua sobrecarga e para a desresponsabilização dos pais.
Daniel Sampaio, Público
(Texto recebido por correio electrónico; não foi possível apurar a data do documento)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

No país do ódio

Portugal é um país de odiadores. O ódio é a moeda de troca do nosso comércio emotivo. Basta olhar à nossa volta. O primeiro-ministro, por exemplo, é uma destilaria de ódio. Aliás, o PS é a Via Láctea do ressentimento. Mas, atenção, a política é apenas a ponta do iceberg. Debaixo da capa do porreirismo sorridente, existe um manto de ódio a palpitar por toda a sociedade portuguesa. Nas estradas, há uma guerra civil. Na internet, a cultura do insulto campeia alegremente. Atrás do volante ou atrás do teclado, os portugueses vestem sempre a pele de odiadores profissionais.

A nossa alma colectiva, essa empoeirada cave metafísica, vive do ódio e para o ódio. E não estou a falar de um ódio contra os 'estrangeiros'. Não. Este ódio vai de português para português. Portugal é o pretexto para o Zé odiar o Chico, e vice-versa. Não existe patriotismo em Portugal, porque os portugueses - paradoxalmente - nunca têm contacto com o país. Os portugueses vivem no interior dos seus casulos tribais. As corporações e os partidos criam uma película peçonhenta que separa as pessoas do país. No seio destes casulos que flutuam acima da realidade, odiar as outras tribos flutuantes é a única identidade aceitável. Os partidos existem para odiar, com os decibéis da varina, os outros partidos (olhe-se para o Parlamento). As corporações existem para morder, como cadelinhas amestradas, as outras corporações (olhe-se para a justiça). Fazer bem ao país não interessa, porque só interessa fazer mal às outras tribos.
Por causa deste clima odiento, revi um filme que funciona, na minha cabeça, como um antídoto contra este hábito de odiar. Realizado por Joaquim Leitão, "20.13 - Purgatório" (2006) remete-nos para a guerra colonial. A personagem principal, o alferes Gaio (Marco d'Almeida), é um crítico da guerra. Este jovem oficial detesta o regime de Salazar. Porém, Gaio nunca abandona os seus soldados. Como diz o capitão, "deve ser duro combater com lealdade mas sem fé, não é Gaio?". Gaio não tem fé na ideologia salazarista, mas mantém a lealdade aos seus homens. Porque o amor que tem pela sua gente é superior ao ódio que sente pelo regime. Porque antes do nosso umbigo ideológico existe uma coisa chamada 'país'. Ora, esta humildade patriota, personificada por Gaio, é uma coisa raríssima em Portugal. Os portugueses nunca colocam o país acima das tribos. Portugal não é uma pátria. Portugal é um pretexto para o ódio que, não sei porquê, habita no peito dos portugueses. Vivemos consumidos por este ódio selectivo que apenas selecciona como alvo outros portugueses. O português é o lobo do português.
Henrique Raposo
Texto publicado na edição do Expresso de 31 de Dezembro de 2009

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Segue o Teu Destino

Pensamento

«Ser o que somos e chegar a ser o que somos capazes de ser: este devia ser o nosso único objectivo de vida.»
Robert L. Stevenson

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Pensamento

O homem, por força da sua dimensão espiritual, pode encontrar sentido em cada situação da vida e dar-lhe uma resposta adequada.
Victor Frankl

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Manifestação pela Família e pelo Casamento

Questões pertinentes

A Lei que Estabelece o regime de aplicação da educação sexual em meio escolar[1] é uma lei recente. A Educação Sexual passa, assim, a ser de carácter obrigatório para «estabelecimentos do ensino básico e do ensino secundário», «aplicando-se a todos os estabelecimentos da rede pública, bem como aos estabelecimentos da rede privada e cooperativa com contrato de associação, de todo o território nacional.».

Muito há a debater sobre as leis que implantam a Educação Sexual, dado serem medidas que profundamente têm que ver com importantes dimensões do Ser Humano, como a biológica, a psicológica, a sócio-cultural e a ético-moral.

A grande preocupação para uma Educação Sexual tem-se prendido e quase reduzido à sexualidade na sua perspectiva anatómica, preventiva e contracepcional. Ora, se atendermos às diferentes e integradoras dimensões do Ser Humano, vemos que abordar somente anatomia, contracepção e prevenção de doenças venéreas é apenas uma parte do que é necessário e que não podemos esquecer dependerem da forma como o indivíduo se relaciona com ele próprio e com os outros, com o meio familiar em que se forma, com as suas crenças e valores ético-morais.
Será pelo facto de se reduzir a abordagem da sexualidade à dimensão biológica, reprodutiva e de promoção da saúde, que na actual lei da educação sexual não se contempla a palavra “amor”? Impõe-se, então, uma questão: sem uma ligação com as atitudes, os comportamentos, a responsabilidade, a afectividade, os Valores e o Amor, que sentido faz a Educação Sexual?

[1] Lei n.º 60/2009 de 6 de Agosto.

Almoço de género ou género de almoço?

Em festa (parece), o primeiro-ministro decidiu comemorar os 100 dias do seu Governo com um gesto inédito de que certamente se lembrou um dos génios da propaganda governamental. Decidiu oferecer um almoço às ministras do seu Governo. Logo aí começa o incómodo: às senhoras ministras. Não, como são socialistas, às mulheres ministras. As meninas secretárias de Estado também foram convidadas. Como fica bem nestas coisas, convidaram - e, como se faz em casa, juntaram mais uma - senhoras para perfazer 12. Doze à mesa como os apóstolos. Um almoço oficial em que critério é serem mulheres ministras ou mulheres secretárias de Estado.
Oficialmente, andam os governos PS há anos a combater divisões por sexo e a substituí-las pelo conceito moderno e progressista de género. Mudam nomes de comissões que foram da condição feminina e passaram a ser de igualdade de género, mudam diplomas, editam revistas, fazem leis, criam ONG para garantir a igualdade de género, para afinal o primeiro-ministro almoçar com mulheres.

O ano passado esteve cá o presidente da Líbia e eu recebi (era deputada) um convite para um cocktail numa tenda em Belém. Muammar Khadafi convidava mulheres, só mulheres portuguesas, 500 para a luxuosa tenda. Eu achei o convite de mau gosto e que certamente só ocorreria a um rei ou a um presidente vindo do deserto da Líbia, e recusei ir.

Agora, subitamente, o primeiro-ministro decide comemorar os 100 dias de Governo dividindo governantes em função do sexo. Discriminação positiva dirão alguns, logo aceitável, progressista, dentro dos mais modernos padrões de modernidade, uma vez que as mulheres ministras almoçaram e os homens ministros não. Almoço de género (dirão outros) que não discrimina, porque nos 200 dias certamente haverá almoço para o género homens e nos 300 e 400 para os restantes géneros aceites oficialmente.

Esta ideologia "progressista", "moderna", que oscila entre banir as mulheres em nome da igualdade de género e remetê-las para o fim das listas eleitorais para fazer a quota, conduz direitinho a estes almoços de senhoras/meninas ministras e secretárias de Estado - e, como não chegam para compor a mesa, convidam-se outras para fazer número e ficarem honradas com o convite.

Para evitar essa situação, sugiro uma alteração de critérios do convite de almoço nos 200 dias do Governo: o primeiro-ministro pode almoçar com os melhores ministros do seu Governo e teria certamente alguma mulher no almoço. E se, depois almoçar com os piores ministros, também terá de certeza algumas. Outra hipótese será dividir os ministros pela raça ou pela cor da pele, o que é pior ainda, até porque não tem nenhum ministro preto, negro, amarelo ou cigano. Pode então dividi-los por altos e baixos, o que será certamente um critério mais igualitário, apenas com o problema de ter que decidir como contabilizar os tacões das senhoras ministras. É melhor não seguir por aí, tanto mais que medir os convidados não é bonito.

Pode-se então seguir a tradicional divisão tão típica das nossas portuguesas aldeias: em vez da discriminação mulheres/homens, organizar a divisão do almoço por casados primeiro e solteiros depois. Um clássico: casados contra solteiros. No entanto, o que parece ser a tradicional solução também levanta problemas, porque apareceriam as questões das união de facto, dos registados, dos e das juntos. Não era afinal fácil.

E se fossem divididos por ministros oriundos do Norte do país e ministros do Sul? Evitava-se, assim, completamente a questão da divisão por sexo, ou por raça, ou por género. Tudo se resolveria convidando os do Mondego para cima para um almoço, e os do Mondego para baixo, para outro. Esta parece-me a melhor e mais equilibrada solução. Claro que os do Sul serão sempre vistos como sulistas e elitistas, paciência… Como escreve o João César das Neves, não há mesmo almoços grátis.
Opinião de Zita Seabra (JN).

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Pensamento

Nunca deites abaixo uma vedação sem saber a razão porque ela foi lá posta.

G. K. Chesterton

sábado, 30 de janeiro de 2010

Ensino entregue ao poder local, defende António Barreto

Os ensinos básico e secundário deviam ser entregues ao poder local, considera o sociólogo António Barreto, um dos convidados do programa Res Publica deste sábado, que analisa a Educação.

“O ensino básico e secundário devia ser entregue às câmaras e às comunidades locais. Devia sair do Ministério da Educação, que se ocuparia apenas de um ou dois princípios essenciais, que é, por exemplo, a organização do currículo nacional e depois da fiscalização e a inspecção”, sugere o sociólogo.


António Barreto deixa ainda críticas ao actual papel do ministro da Educação, que é hoje mais “uma espécie de director de serviço de pessoal do Estado português” do que alguém que se preocupe com a pedagogia. Os problemas sindicais, critica, ultrapassaram as questões essenciais da educação – uma opinião partilhada pelo outro convidado do programa, o Prof. Braga da Cruz, reitor da Universidade Católica Portuguesa.

“Um dos efeitos perversos desta crescente sindicalização da profissão [de professor] é a perda de autoridade”, defende o também sociólogo, considerando ainda que “toda a recente movimentação dos professores teve um efeito negativo no prestígio da escola pública”.


Daqui.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Trabalho e emprego

Nada mais politicamente incorrecto do que a convicção de que falar de desemprego nem sempre é falar de falta de trabalho. A título de exemplo cito o caso de uma empresa de grande dimensão que recrutou, no ano de 2009, nove mil e oitocentos trabalhadores dos quais oito mil e duzentos se foram embora durante o mesmo ano, após faltas sucessivas, abandono do lugar e, até, comportamentos ilícitos. Imagino que muitos deles se tornaram automaticamente beneficiários de algum subsídio pago pelos nossos impostos.
O que nos devia preocupar é este país dual, dividido entre os que têm trabalho e os que, querendo trabalhar, o não encontram; entre os que mantêm os seus rendimentos de trabalho, o que, nas actuais circunstâncias, significa um aumento do respectivo poder de compra, e os que se viram bruscamente privados de qualquer rendimento e não podem fazer face às necessidades básicas do seu agregado familiar; entre os que prosseguem habitualmente a sua vida e os que se sentem humilhados e perdidos. Questão diferente é a de considerar todos os que não têm emprego como uma categoria homogénea, tal como é um erro pensar que mais pacotes de medidas governamentais ou injectar mais umas quantas dezenas de milhões de euros nos permite ficar com a consciência tranquila. As políticas públicas concebidas e aplicadas desta forma implicam riscos de fracasso quer ao nível dos conceitos quer ao nível das práticas. O primeiro é o de sedimentar uma cultura de dependência e inércia; o segundo é prescindir de uma avaliação política e técnica das medidas governamentais; o terceiro é não questionar a eficiência da máquina administrativa que as vai implementar; o quarto é não proceder a uma caracterização destes desempregados antes de produzir mais e mais medidas. Todos se recordam da baixíssima taxa de execução do pacote anticrise de 2009. Se bem que a esquerda queira ver nisso uma espécie de "poupança" mal intencionada do que se trata é de incompetência: o anterior Governo revelou-se incapaz. A actual ministra, questionada sobre o assunto deixou escapar que algumas das medidas estavam mal formatadas. Parece que as deste ano, já da sua lavra, não padecem dos mesmos erros. Será assim? Quem nos garante que em 2011 não ouviremos uma explicação semelhante? E quem presta contas dessa má formatação? Onde está a avaliação que se impõe ao plano de 2009?
Quem está no terreno testemunha com frequência a incapacidade da máquina quando obrigada a sair das suas rotinas habituais. Os centros de emprego, cuja dinâmica é decisiva, parecem incapazes do mais elementar: conjugar com celeridade a procura e a oferta, o que decerto desencoraja o recurso a estes serviços por parte dos empregadores. Mas, ainda mais grave é o facto, igualmente comprovado, de os chamados períodos de carência terem aumentado, não em função de qualquer imposição legal mas por um inexplicável engarrafamento na triagem e encaminhamento das situações no âmbito da Segurança Social.
Finalmente, uma análise mesmo empírica permite perceber que o perfil de muitos destes desempregados aconselharia, por exemplo, medidas específicas para a promoção do auto-emprego. Muitos são pessoas que sempre trabalharam, com iniciativa própria, avessas a pendurarem-se no sistema e que se beneficiassem de medidas concretas resolveriam eles próprios a sua vida como se viu, no âmbito da campanha "Portugal Solidário" no distrito de Setúbal.
O esforço de coesão social só se justifica se os desempregados sentirem que têm de ser parte da solução e não apenas do problema, activos na busca de soluções e não agentes passivos, destinatários de medidas abstractas. E a equidade, nesta matéria, passa também por separar o trigo do joio.
Maria José Nogueira Pinto, DN 2010-012-08

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Pensar a Escola: Ex-ministro defende plena autonomia da escola

Marçal Grilo apela a uma imediata e verdadeira autonomia das escolas. O antigo ministro da Educação considera que se têm dado passos positivos nesta matéria, mas há que avançar com rapidez.

Sou um grande defensor da autonomia das escolas. Julgo que a escola deve ser muito rapidamente autonomizada, mesmo com os riscos que uma autonomização precipitada pode ter. Porque o Estado não tem que ter um projecto educativo. O Estado tem é que dar condições aos cidadãos para que os cidadãos possam ter o seu próprio projecto educativo, que é um projecto comunitário”.

Marçal Grilo traça ainda outra meta para o ensino nacional. Uma nova forma de organizar o acesso às escolas estatais. “O que pode vir a ser um modo de organizar a escola para que as famílias não tenham que colocar os filhos na escola que o Estado entende que deve ser”.

O antigo Ministro da Educação falou ainda do acordo entre professores e Ministério. Considera-o positivo e apela a entendimentos semelhantes entre a tutela e os pais, os municípios e instituições.

Daqui.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

50 Anos de Estatísticas da Educação

Segundo a publicação do INE "50 Anos de Estatísticas da Educação", a generalização do acesso à escola foi o factor mais relevante nos últimos 50 anos. No entanto, o atraso na Educação face aos países desenvolvidos permanece igual.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou esta quarta-feira "50 Anos de Estatísticas da Educação", em conjunto com o Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE). Segundo a publicação estavam matriculados em 1960/61 no sistema de ensino 1 086 115 alunos, mas em 2007/08 já eram mais de 1,8 milhões.

No entanto, segundo os especialistas consultados pelo jornal I, os dados do INE revelam que Portugal deu um salto gigante mas não suficiente para contrariar o atraso face aos países desenvolvidos que permanece igual. Mantemos a mesma distância de há 50 anos atrás, uma altura que remete para o tempo da ditadura.

O crescimento exponencial do número de alunos nas escolas regista-se sobretudo ao nível do ensino secundário e da educação pré-escolar, que registam durante aquele período mais 336 361 e 259 630 estudantes, respectivamente. Assim, o número de crianças no pré-escolar cresceu 40 vezes, a taxa de escolaridade no ensino secundário escalou de 1,3% para 60% e o acesso das raparigas ao ensino subiu 15%.

Os dados mostram que o país avançou muito entre 1960 e 2008 mas segundo a opinião do sociólogo do Instituto de Ciências Sociais, Manuel Villaverde Cabral, "Fartámos de correr, mas não conseguimos ainda apanhar o pelotão da frente".

O professor universitário Santana Castilho comenta do mesmo modo estes dados: "Houve uma massificação do acesso ao ensino, mas a qualidade não acompanhou essa evolução". A única conclusão a retirar da publicação do INE é que, há 50 anos, a Educação em Portugal apresentava características típicas de um país atrasado e ignorante e que apenas tem vindo a correr atrás do comboio do desenvolvimento, não conseguindo mais do que isso.

"O que me salta aos olhos é que o sistema educativo antes do 25 de Abril era realmente mau, porque 99% da população estava excluída da escola", disse desanimado o presidente da Associação de Professores de Português, Paulo Feytor Pinto perante os dados agora publicados.

O ensino secundário é um dos exemplo mais flagrantes do atraso português. De acordo com o INE, só 60% dos portugueses completaram o ensino secundário e essa é a percentagem de norte-americanos com habilitações superiores.

"Os países escandinavos, por exemplo, conseguiram recuperar o atraso face aos EUA e, na década de 60, 100% da população já estava escolarizada ao nível do secundário", conta Manuel Villaverde Cabral, o sociólogo e autor do estudo "Sucesso e Insucesso - Escola, Economia e Sociedade". Além disso, acrescenta ainda que "Nos Estados Unidos, a taxa de escolaridade até ao 12º ano era de 100% ainda antes da Segunda Guerra Mundial”, embora em Portugal “o ensino obrigatório até aos 18 anos só acontecerá a partir de 2013."

Todos os países desenvolvidos como França, Alemanha ou Espanha conseguiram taxas plenas de sucesso no ensino secundário em Portugal, 30 a 40% da população não consegue ir além do 9º ano. O sistema exclui sobretudo os que mais precisam, diz o sociólogo: "O insucesso escolar acontece principalmente no interior do País e nas periferias de Lisboa e Porto."

Duplicar ou até triplicar o investimento na educação poderá ser uma solução para apanhar o comboio da modernidade, propõe Villaverde Cabral que está convencido de que o atraso no sistema educacional "muito se deve" às elites governamentais que tomaram opções erradas e contribuíram para um modelo de ensino "ineficiente e dispendioso".

Paulo Feytor Pinto aponta o nível que considera apresentar maiores lacunas que diz continuar a ser o pré-escolar, com uma escolarização de 77,7% e critica ainda o facto de, mais uma vez , as estatísticas não distinguirem o abandono escolar de retenções. "A retenção é administrativa, o importante seria perceber que alunos saem da escola antes do tempo. Não conseguimos perceber se há uma melhoria ou não - faz-se o diagnóstico, mas não se traça a evolução."

A diferença verificada entre a taxa de escolarização aos 15 anos (99,7% em 2006/07) e a taxa de escolarização para o secundário (60% no mesmo ano lectivo) representa outra preocupação.

O professor universitário Santana Castilho admite que "o esforço do país na escolarização é notável, sobretudo nos últimos 30 anos", considerando, porém, que os números não podem ser lidos como um retrato fidedigno da educação em Portugal pois apenas transmitem "a quantidade, nunca a qualidade". As políticas de educação feitas para as estatísticas e o decréscimo da exigência do ensino para combater o abandono escolar são as suas críticas principais.

Os números não bastam e é por isso que Santana Castilho chama a atenção para o facto de no mandato de Maria de Lurdes Rodrigues, 20 mil alunos se terem matriculado no ensino profissional, comentando que “O preço de termos menos jovens a abandonarem a escola é que até se criaram cursos de treinador de futebol que dão equivalência ao 12º ano."

Somando número de alunos e número de docentes nas escolas portuguesas no ano lectivo 2006/2007, a publicação do INE mostra que existe hoje uma média de 9,75 alunos por cada professor. Um número que é considerado pelos investigadores como completamente desvirtuado pois bastará visitar algumas escolas para se ficar a saber que uma turma tem quase sempre muito mais de dez alunos.

“É preciso ter em conta que os professores do ensino especial ou a desempenhar tarefas administrativas também entram nesse cômputo, e que duas mil escolas - onde a relação professor/aluno era muito baixa - já fecharam", avisa Santa Castilho.

Na Alemanha ou França, as taxas no secundário são de 100% mas em Portugal, 30% da população não acaba o 9º. Ano.
Tirado daqui.
Com hiperligação aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Europa: Exemplos de excelência em Educação

Como a Hungria e a Irlanda conseguiram alcançar metas diferentes em Educação. Uma reportagem, em Avenida Europa, aqui.

Cem por cento racional, cem por cento crente

1. Aludi, no Domingo passado, a “um teólogo feliz”, mesmo na tormenta, chamado E. Schillebeeckx que passou, nas vésperas do Natal, definitivamente para as mãos de Deus. Sob certo aspecto, é verdade o que diz Fernando Pessoa: “morrer é só não ser visto” (1).
Quando isso acontece, o essencial fica sempre por dizer. Apetece-me, no entanto, recolher e partilhar a confissão desse teólogo cem por cento racional, não racionalista, e, simultaneamente, cem por cento crente. É uma confissão, não é uma argumentação. Essa percorre toda a sua obra. Aqui e agora, é a primeira que me interessa, respeitando o seu carácter oral, embora transcrita para a obra citada no Domingo passado.
Enquanto crente, sou racional, procuro argumentos racionais e sinto-me, assim, um crente cem por cento. Não há contradição. Ser crente não significa ser irracional. A fé é a confissão de um homem racional. A racionalidade da fé deve ser sempre desenvolvida e clarificada. Toda a minha teologia é teologia de um crente: Fides quaerens intellectum. A razão humana deve viver à vontade no domínio da fé. Apelar para a obediência e fechar os olhos não é cristão, não é católico. Precisamos de ser crentes racionais. S. Tomás é santo na sua racionalidade. Usa a razão para abordar a fé. A racionalidade é cada vez mais necessária, sobretudo para reagir contra o fundamentalismo que também mina, cada vez mais, as Igrejas. O fundamentalismo, presente em certas comunidades cristãs, leva ao obscurantismo. É um grande perigo porque nega a razão humana.É verdade que a razão humana não pode ser abandonada a ela própria. Corre o perigo de se fechar num puro positivismo. A fé cumpre a função crítica e correctiva para não se cair no racionalismo e para que não se feche ao mistério. Sem a razão humana, a fé torna-se fundamentalismo. Ambas, a fé e a razão, cumprem a função de crítica recíproca.
2. Outrora, falava-se de escolas teológicas. Havia mestres e discípulos. Hoje, já não é assim. A ideia de fazer escola está ultrapassada. As grandes sínteses, que duravam séculos, são coisa que já não existe. Eu não escrevo para a eternidade, mas para o ser humano de hoje que se encontra numa situação histórica determinada. Tento responder a questões. A minha teologia é datada, é contextual. Deseja, no entanto, ir para além da situação enquanto tal. Nas minhas obras, existe uma intenção universal, pois esforço-me por ter em consideração o porquê dos seres humanos de toda a humanidade. De outra forma, aliás, não seria boa teologia. A actualidade de uma teologia não se confunde com uma actualidade efémera. Para outros tempos, outras teologias virão.
Estou contente de ter dito alguma coisa para o ser humano de hoje e, talvez, também alguma coisa que interessará, ainda, a geração futura. Quando uma teologia pode alimentar a geração seguinte, é uma grande teologia e assim continua a grande tradição teológica.
3. É difícil traçar uma linha de divisão nítida entre a minha aventura pessoal e a minha vida de teólogo. Há dois textos da Escritura que sempre me apoiaram e que, ainda hoje, continuam a apoiar-me: “Estai sempre prontos a responder a quem vos pede a razão da esperança que vos habita” (1Pedro 3, 15) e “Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo, guardai o que é bom” (1 Ts 5, 19-21).É o Espírito que me fala através destes textos sagrados. Por um lado, no esforço contínuo para me reorientar nas reacções inesperadas, para as quais sopra o Espírito de Deus; este mesmo Espírito deu, ao meu trabalho teológico, um carácter de esperança, libertador e construtivo que abre para a existência concreta, como muitos dos meus leitores, para minha grande alegria, me fizeram saber, verbalmente ou por escrito.
Por outro lado, o Espírito foi também a fonte do inesgotável carácter crítico dos meus escritos, da atitude crítica que, até hoje, me acarretou um certo número de cartas, nas quais, os meus irmãos cristãos me definiram como um “diabo em carne e osso”, “um lobo sob a pele do cordeiro”, “um herético da pior espécie” e “um imigrado na Holanda que para o bem da sociedade e da Igreja seria melhor regressar ao seu país de origem”.
O meu trabalho científico significa ainda, para mim, de modo muito consciente, uma forma de apostolado e, em particular, uma forma de pregação dominicana da Boa Nova: o Evangelho de Jesus, o Messias do Deus libertador, eleito do Espírito.Aprendi, no entanto, por experiência que, se a religião é o maior bem do ser humano e para o ser humano, é também, muitas vezes, inteiramente manipulada para humilhar e até para torturar o ser humano no corpo e no espírito.
É por isso que, sobretudo nos últimos anos, o meu pensamento teológico preferiu defender o ser humano, homem e mulher, contra as exigências desumanas da religião, em vez de a defender contra as nossas ilusões de seres pecadores que todos somos.
Nos dois aspectos, crítico e construtivo, do meu pensamento teológico, procurei testemunhar aos outros a esperança e a alegria que vivem em mim. Sou verdadeiramente um homem feliz.
Em suma, só um ser inteligente pode acolher a fé; só um homem de fé pode deixar a inteligência, em todos os seus registos, viver em liberdade a multifacetada experiência cristã.
(1)Inês de Barros Baptista, Morrer é só não ser visto, Planeta, Lisboa, 2009.
Crónica de Frei Bento Domingues, o.p. (Jornal Público)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

É verdade

«Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.»
A. S. Exupéry

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Educação - a partir de agora, que rumo?

A Educação foi uma das áreas que mais transformações sofreu, nas últimas décadas, em Portugal. Apesar disso, estudos da O.C.D.E. comprovam que os resultados estão muito aquém do que seria desejável.

As polémicas em torno da Educação têm incendiado os ânimos em várias posições, trazendo, para a praça pública, assuntos variados. Constata-se, porém, que se discute muito pouco aqueles que estão no cerne de toda esta “luta”: os alunos. Sabemos que todas as discussões e medidas os afectam indirectamente, sendo, então, imprescindível ir ainda mais fundo nas questões, sob pena de aligeirarmos os problemas, como se tomássemos uma aspirina, quando o nosso mal é a gripe.


Investir na Educação é investir em cada criança. E cada uma é um ser único e irrepetível, com uma história de vida particular, com necessidades educativas específicas, as dela concretamente. A diversidade é imensa: problemas emocionais, dificuldades na aprendizagem da matemática, da leitura ou da escrita, défice de atenção, já para não falar de cegueira ou baixa visão, surdez e hipoacusia, comportamentos graves, paralisia cerebral, spina bífida, deficiência mental, dotação e sobredotação, autismo, problemas de saúde, entre outros. Isto é uma verdade comum, mas, infelizmente, é ainda muito ignorada nas medidas que se tomam num todo e em específico.


Todas as questões, em Educação, são importantes, mas também o são, estamos certos disso, questões como a qualidade e a exigência, a burocratização do trabalho nas escolas, a formação inicial e contínua dos professores, ou a especialização destes para áreas que comprometem o seu trabalho, por exemplo, um professor de Português terá de saber trabalhar com um aluno disléxico. Dadas as graves dificuldades de algumas crianças, poderá mesmo haver necessidade de haver dois professores numa sala de aula!


Quando nos foi dada, nestes últimos tempos, a oportunidade, de ao falarmos dos professores, abordarmos e discutirmos estes assuntos? Quem ouvimos falar disto?


Em Educação, vamos centrar-nos no que também é importante para servirmos os alunos. Hoje é uma oportunidade para determinar outros caminhos nos problemas sentidos pelos Portugueses, em cada lar onde cresce e se instrui uma criança. Amanhã pode já ser tarde.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Para rir: Salazargalhães

E TU, TAMBÉM TIVESTE UM SALAZARGALHÃES ?!

E funcionava às mil maravilhas. Até com o ecrã rachado. Já vinha com prova dos nove incluída e tudo ! Agora se dessem um destes à rapaziada pequena é que era giro vê-los à procura do botão para o ligar.