sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Síndrome de Alienação Parental



quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

PRIORIDADE DA EDUCAÇÃO

PRIORIDADE DA EDUCAÇÃO
Torna-se prioritário olhar para a Educação e reconhecê-la como elemento fundante e estruturante da sociedade portuguesa, comportando responsabilidades, quer para a sociedade em geral quer para a Igreja em particular. A educação apela a acções que favorecem o desenvolvimento intelectual, afectivo, espiritual, físico e moral da pessoa humana, tendo sempre como objectivo a tomada de consciência da própria pessoa e o autodomínio. É necessário, portanto, ter a capacidade de abrir horizontes e promover a totalidade da pessoa, nas suas múltiplas dimensões: intelectual, afectiva, física e espiritual… Só um projecto onde se fomentem os valores garante um humanismo com futuro.
Daí que algumas coordenadas do ensino em Portugal nos inquietem. Importa ter a coragem de o repensar e não caminhar com soluções parciais e ao sabor dos ventos e conveniências corporativas e políticas. Sem valores verdadeiramente assumidos, a educação não acontece, o relativismo ganha foros de “norma”, a família desestrutura‑se, perde as suas coordenadas de referência e até de autoridade e a vida social corre o risco de se tornar ponto de “desencontro”. Muitos já o referiram e nunca se pode esquecer. A crise está na ausência de valores. Poderá parecer que temos uma sociedade de progresso e verdadeiramente desenvolvida. O actual momento da sociedade já o desmente e o futuro poderá reservar-nos algumas surpresas.

Educar para os valores deve permitir uma pluralidade plausível e séria de propostas, de modo que, segundo o princípio da subsidiariedade, seja permitido aos pais escolher o projecto que querem assumir para os seus filhos. Os pais necessitam da concretização deste direito. E para que isto seja uma realidade, o ensino não pode ser estatizado em absoluto, de uma forma sub‑reptícia e compulsiva, como parece ser essa a vontade de muitas políticas pseudo‑educativas. Também na educação, a democracia passa necessariamente pela justa autonomia e descentralização estatal.

A par da necessária pluralidade e qualidade de oferta, torna-se imprescindível sensibilizar, consciencializar e responsabilizar as famílias, para que sejam capazes de interpretar a sua missão, neste ambiente de uma sociedade com sinais de desorientação e imaturidade. Em muitos casos, podem ser necessários gestos e atitudes frontais, manifestando um justo inconformismo cívico, a fim de que seja respeitada e legislada claramente a liberdade de opção dos pais sobre a educação dos seus filhos.

A FAMÍLIA E OS VALORES
A “família tornou-se a célula primeira e vital da sociedade” (FC 42), uma vez que possui vínculos vitais e orgânicos com a mesma sociedade. Na verdade, representa a primeira escola da sociedade e, como tal, local privilegiado para a aprendizagem dos valores éticos e cívicos.
A nossa história atesta que a instituição familiar tem sido uma escola positiva e fundamental. Foi ela que promoveu uma consciência viva da liberdade pessoal, incutiu a importância das relações interpessoais, estimulou uma verdadeira educação dos filhos e, no amor mútuo, abriu-se a uma necessária procriação responsável.
Hoje, a família encontra-se exposta ao relativismo dos valores, o que estará a degenerar em anti‑valores: rupturas familiares, crise social da figura do pai, dificuldade em assumir compromissos estáveis, graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos, o número crescente dos divórcios, a praga do aborto, o recurso cada vez mais frequente à esterilização e a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva (cf. FC 6).
É, pois, fundamental que a família descubra a sua identidade. O que é, e também qual a sua missão na sociedade. Cada família é chamada a descobrir o apelo de Deus dentro de si e “tornar-se aquilo que é” (FC 17).
Se a emergência educativa passa pela família, nunca nos poderemos cansar de anunciar o seu verdadeiro estatuto e denunciar campanhas que pretendem dar uma orientação contrária às características que, queiramos ou não, se revestem de uma dimensão cultural e antropológica e que, por essa razão, nunca podem ser consideradas ultrapassadas ou retrógradas.
Continua a infiltrar‑se, em muitos casos de uma maneira camuflada, a “teoria do género”, como verdadeira ideologia apostada em redefinir a família, a relação matrimonial, a procriação e a adopção. Ninguém ignora os problemas reais com os quais a instituição familiar se debate quotidianamente. Perante estas novas problemáticas, vão surgindo tentativas de solução baseadas nos valores tradicionais de liberdade, igualdade e saúde que, para além dos seus significados verdadeiros, começam a ficar mergulhados num conjunto de ambiguidades, desviando-se duma antropologia sadia e verdadeiramente confirmada pela genuína cultura.
Em muitos casos, a justa liberdade da mulher já não encerra uma verdadeira emancipação das discriminações sociais e do poder autoritário do homem. Enveredou por uma competição entre os dois sexos, onde aparece com evidência a rivalidade e o antagonismo que conduzem a uma procura da afirmação individual, quando deveria estruturar-se em termos de solidariedade e complementaridade responsável. A violência doméstica prolifera e o desencanto familiar multiplica-se.
Determinadas concepções de igualdade pretendem sublinhar a diferença natural entre homem e mulher como irrelevante e propõem a uniformidade de todos os indivíduos como se fossem sexualmente indiferenciados, com a consequência inevitável de considerar os comportamentos e orientações sexuais equivalentes. Assim julgam que cada indivíduo tem o direito de concretizar livremente e, em muitos casos até mudar, as próprias escolhas segundo as suas preferências, desejos ou inclinações. As uniões homossexuais pretendem apresentar-se com estatuto idêntico à família.
Também na área da saúde reprodutiva, sob o pretexto da prevenção e da preocupação por evitar as doenças, aconselha-se o exercício meramente amistoso, ou até simplesmente lúdico, da sexualidade, não a integrando numa perspectiva de verdadeiro amor aberto, responsavelmente, à procriação. Neste terreno, o aborto é banalizado com orientações legais que desrespeitam o valor indiscutível da vida e assim o decréscimo da natalidade atinge níveis preocupantes, motivados por interpretações egoístas do dom da sexualidade.
Trata-se duma verdadeira campanha ideológica que não tem em consideração as implicações antropológicas. Se isto acontecesse, tais comportamentos deviam ser considerados eticamente inaceitáveis. Urge, por isso, a responsabilidade de restituir aos sagrados princípios da liberdade, igualdade e saúde os seus verdadeiros conteúdos em favor duma convivência responsável perante um amanhã que deve ser continuamente repensado dentro dos parâmetros dum humanismo integral.
O papel da Igreja será sempre de proposta e defesa da dignidade humana, independentemente da ideologia ou crença religiosa dos indivíduos, aliando o respeito com a coragem. Sentimos o dever de oferecer um contributo para uma sociedade constituída por homens e mulheres verdadeiramente livres e iguais. Em muitos casos seremos incompreendidos, mas o que julgamos ser a verdade sobre a vida humana deve prevalecer sobre o que é considerado política ou socialmente correcto e os aplausos da opinião pública reinante. Por vezes, a Igreja experimenta seguir em contra-corrente, mas sempre de modo respeitoso e dialogante, a mentalidades facilitistas que pretendem impor os seus critérios.
A atenção à família determina o conteúdo das prioridades a considerar pelas instâncias governativas. Não devemos cair num alarmismo ou visão negativa do actual momento histórico. Também não interessa ficar passivamente a apontar os culpados ou responsáveis pela actual situação social. Sabemos que o desemprego cresce e as empresas lutam com dificuldades ou já encararam a realidade da falência. A carência de bens essenciais entrou em muitas casas e não pode ser camuflada a resignação dura de pessoas simples que se vêem obrigadas à austeridade. A vergonha encobre muita miséria e os dados estatísticos, elaborados a nível nacional ou internacional, lançam alertas que os poderes deveriam ouvir para discernir caminhos que ofereçam aos pobres uma vida digna.
Esta é a prioridade das prioridades. As soluções não são fáceis de encontrar. Só uma convergência que não admite distracções permite uma sociedade justa e fraterna.
D. Jorge Ortiga
Daqui.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Limpar Portugal!







quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

LER DEVIA SER PROIBIDO



LER DEVIA SER PROIBIDO
Guiomar de Grammon

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.


Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.


Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.


Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?


Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.


Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.


Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.


Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.


O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?


É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.


Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.


Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.


Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.


Ler pode tornar o homem perigosamente humano.


In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-3.

Kseniya Simonova

Muito, muito bonito! Vale a pena ver.


quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Nunca nos esqueçamos de que é preciso toda uma Aldeia para educar uma criança

Há uma certa nostalgia que associa os jovens à luta ambiental. O facto de a causa em Portugal ser relativamente nova, de aqueles serem os principais protagonistas na publicidade institucional relativa ao Ambiente, de as escolas serem um dos principais locais para o alerta ambiental e das expectativas que todos depositamos neles são talvez alguns dos factores que fazem dos jovens uma espécie de “Santos do Ambiente”. Nada mais falso. Sei (porque vi e outros o constataram), que para muitos jovens, na freguesia da Barreira, escusavam de existir ecopontos, pois não serviriam para nada. De facto, insistem em levar para o contentor do lixo comum todo aquele que é passível de ser seleccionado e reciclado (uma coisa tão simples e tão banal!).
Muito do que aprendemos, fazemo-lo por imitação. Com efeito, as crianças batem, porque vêem bater, dizem palavrões, porque os ouvem, são egoístas, porque não vêem partilhar; mas também ajudam, se virem ajudar, cumprem com os seus deveres, se virem outros cumprir com os seus, cuidam, se virem cuidar.

Para além da imitação, é importante que se louvem os bons comportamentos e que se chame a atenção para os maus. Não sei por que infeliz “revolução social”, deixou de se chamar a atenção das crianças ou dos jovens para os maus procedimentos! Muitas são as pessoas de idade que se queixam com frequência de que «dantes é que havia respeito» e que são capazes de se manifestar. Na verdade, vejo, com mais frequência, que são os de mais idade a recriminarem más acções ou faltas de respeito do que adultos de meia-idade...

Ninguém se deve de coibir de chamar a atenção dos mais novos para acções incorrectas, apelando ao bom senso, ao bem comum, a princípios que nos envolvem socialmente, à responsabilidade e ao respeito pelo Próximo. Ninguém deve, inclusive, deixar de apelar ao próprio exemplo. É, pois, célebre a frase de Joubert: «As crianças têm mais necessidade de modelos do que de críticas.». Estranho é que muitas vezes se ouça «Faz o que eu digo e não o que eu faço.».

Num dia de praia, quando me preparava para abandonar o areal, pareceu-me ver sair do meio de um grupo de crianças entre os seus 9 e 14 anos, no máximo, fumo de cigarro. Estarreci. A fumar? Menor de idade? Num sítio tão visível e tão público como uma praia? Aproximei-me para me certificar. No meio do grupo, um rapazito fumava despreocupadamente. Pedi-lhe que apagasse de imediato o cigarro e relembrei-lhe os perigos nefastos do tabaco. Descobri que, face à dificuldade que os menores têm em arranjar tabaco, depois da nova legislação, quem lhe dera os cigarros tinha sido o pai. Mais palavras para quê?!

Há uns meses fiz o mesmo com um rapaz e uma rapariga que iam pela rua a dizer palavrões e que nem a entrada num café bem frequentado lhes alterou o vocabulário. Não é muito confortável chamar a atenção para casos como os citados quando, de repente, temos dezenas de pares de olhos apontados a nós. Apesar disso, até agora, ninguém reprovou as minhas chamadas de atenção. Consentimento? Provavelmente.

Em questões de Ambiente, há jovens que ensinam os mais novos, mas também há mais velhos a terem de ensinar os mais novos. A aprendizagem deve ser social e mútua. É como uma cadeia que, se alguém quebra, se desmorona e deixa de ter efeito.

O ditado de origem nigeriana é antigo: é preciso toda uma Aldeia para educar uma criança. Comecemos nós, adultos, a melhor das pedagogias: sejamos nós a dar o exemplo, que o resto virá certamente por acréscimo. Tenho a certeza de que no contentor do lixo comum deixará de haver tanto lixo passível de ser reciclado.

Barreira.net (Setembro de 2009)

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Estagiários são escravos de colarinho branco

As condições em que decorrem muitos estágios - sem remuneração e com atribuição de funções desadequadas aos recém-licenciados - são entendidas como uma forma de exploração ou escravatura "de colarinho branco" por sociólogos ouvidos pela agência Lusa.

Para Natália Alves, socióloga e professora auxiliar na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, concluir um curso como o de Direito, que até há pouco tempo era de cinco anos, "e ainda ter mais dois anos em que se trabalha a custo zero" leva os jovens "a protelarem os seus projectos de vida".

"É, de alguma forma, manter a vida em suspenso", assinalou, considerando que não pagar aos estagiários sob o pretexto de que estão num contexto de formação "é uma exploração da mão-de-obra", pois, no caso do Direito, "se é certo que eles não são tão produtivos como um advogado com experiência, a verdade é que eles produzem".

Natália Alves, que lecciona e investiga nas áreas de Sociologia da Educação e Formação de Adultos, opõe-se também ao argumento de que a entidade que acolhe os estagiários "lhes está a fazer um favor" por estes necessitarem do estágio para exercerem profissões regulamentadas como Advocacia, Arquitectura, Engenharia, Jornalismo.

"Por mais desqualificadas que sejam as funções, o facto é que eles estão realmente a trabalhar", destacou, lamentando que muitos estagiários fiquem "completamente enredados numa teia da qual se torna difícil sair".

Membro da unidade de Investigação e Desenvolvimento de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, Natália Alves questionou ainda o facto de - como sucede em algumas sociedades de advogados - 15 licenciados estarem a estagiar em simultâneo.

"O estágio é suposto ser um período de formação e uma sociedade [de advogados] que tem 15 licenciados ao mesmo tempo é duvidoso que consiga assegurar a qualidade da formação", sublinhou a socióloga.

"A palavra exploração, com todo o seu sentido e significado, é a que melhor se adequa a estas situações. É uma exploração de colarinho branco e nem mesmo me repugna o uso do termo escravatura", concluiu.

Também Elísio Estanque, investigador do Centro de Estudos Sociais, laboratório associado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, se afirmou apreensivo com a condição dos estagiários.

Para o investigador, esta situação "insere-se no problema mais geral da precariedade crescente no mercado de trabalho" e é "o reflexo de culturas de prepotência e de abuso de poder".

Em declarações à Lusa, Elísio Estanque assinalou que a utilização abusiva de um período que devia ser de formação pode estar também relacionada com "clivagens entre 'status' académicos de grande valor simbólico - o dos estagiários - e baixas qualificações/formação de chefias e sectores ainda relativamente estáveis".

"Isso faz com que se descarregue alguma frustração sobre o jovem estagiário e inexperiente", afirmou.

O estagiário, por ser "aquele que mais precisa dessa pequena experiência - mesmo sendo frustrante - para acrescentar uma linha ao currículo que pode dar acesso ao tão sonhado emprego", acaba por ser "o elo mais fraco", na opinião do sociólogo, que coordenou o programa de doutoramento em Relações de Trabalho, Desigualdades Sociais e Sindicalismo.

Elísio Estanque considera que, "num cenário de incerteza e de pessimismo face ao futuro, as empresas tentam proteger-se aproveitando os recursos mais à mão e menos dispendiosos" mas essa situação é passível de gerar "insatisfação, mal-estar e desmotivação pelo trabalho, acentuando o pessimismo e também o individualismo negativo suportado por sentimentos de ansiedade e de medo".

"Se a aposta na formação e qualificação dos portugueses vier a ser levada a sério, é necessário que isso se conjugue com boas práticas na liderança das instituições/empresas e que estas passem a orientar-se para proporcionar aos empregados e também aos recém-formados (estagiários) o acesso a uma efectiva estabilidade e oportunidade de carreira perante o mérito e a competência demonstradas", declarou.

Lembrando que "o acesso ao emprego e o exercício profissional continuam a ser o eixo principal de conquista de respeito e dignidade social, além do meio insubstituível para garantir subsistência e autonomia económica", o investigador apontou a existência de novas formas de "servilismo e dependências laborais".

O problema atinge "um amplo leque de situações e categorias sócio-profissionais" e, "se não for travado e interdito rapidamente, pode redundar em novas formas de rebelião e revoltas de consequências imprevisíveis", antevê.

"Em termos políticos, tais situações põem em risco a consolidação da cidadania, o que, aliás, vem acontecendo, levando as camadas mais jovens ao desinteresse pela vida cívica e política", rematou.

Ainda vamos sentir saudades


A Sociedade Ocidental ainda vai sentir saudades
da Família, dita tradicional,
da Família de um homem e de uma mulher,
da Família de pai, mãe e filhos,
da Família de compromissos,
da Família para sempre,
da Família que se auxilia,
da Família que educa os seus membros,
da Família com histórias de Família,
da Família que passa férias junta,
da Família que luta e ultrapassa obstáculos,
da Família que dialoga,
da Família que ouve,
da Família que acolhe na doença,
da Família onde se nasce, cresce e morre,
da Família que se preocupa,
da Família que prepara o lanche,
da Família que ensina jogos,
da Família que tem uma fotografia de todos na sala,
da Família que ampara,
da Família que acolhe,
da Família que come à mesma mesa,
da Família que brinca,
da Família que abraça,
da Família com horários,
da Família com o gato, o cão e o piriquito (que os miúdos não dispensam),
da Família que persiste,
da Família que dá a Vida,
da Família que é Vida,
da Família que foi sempre a Única Família,
da Família que será sempre A Família,
da Família que É Família.

sábado, 10 de Outubro de 2009

Reciclar rolhas de cortiça

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Realmente...

Se descobrimos em nós um desejo que nada neste mundo é capaz de satisfazer, deveríamos, se calhar, começar a considerar a possibilidade de talvez nós próprios termos sido criados para um outro mundo.

C. S Lewis (1898-1963)

sábado, 22 de Agosto de 2009

Sabe o que é uma "alfisina"?


sábado, 8 de Agosto de 2009

URGE UMA NOVA POLÍTICA, PARA UM MUNDO NOVO

A obra O Triunfo dos Porcos, de George Orwell é uma fábula política que retrata com tal exactidão a corrupção, o poder e a mentira políticas, que chega a ser assustador lê-la pelo paralelismo que tem com o mundo político actual. Lê-la faz-nos questionar se, de entre acreditar ou menosprezar os políticos, quando se revelam o contrário daquilo em que fazem os eleitores acreditar, devem os Cidadãos acreditar nas ideologias, na política e até na própria Democracia, tantas vezes ultrajada e corrompida em favor de outros interesses que não os do bem-comum.

Vem esta fábula política muito a propósito de uma petição dos bispos brasileiros, já com mais de um mês, contra a corrupção, onde apelam à justiça, à honestidade, à transparência e à vontade de servir o bem-comum.

É constrangedor que valores como os citados precisem de ser apelados, em pleno século XXI! Não serão o Bom-Senso e a Ética guiadores da nossa acção? Se não são, em que anarquia andamos engendradamente metidos?

Faço votos de que, com as próximas eleições, em Portugal (e já agora, no Brasil), os políticos façam os Cidadãos merecer a sua confiança, ao menos aquela de os fez levar às urnas. Se não acreditarmos em quem elegemos e os próprios políticos não se fizerem merecedores dessa confiança, porque haveremos, nós, simples cidadãos, de cumprir com os nossos deveres?

Sejamos, pois, todos, cumpridores do dever (ético) que cabe a cada um. E, em caso de isso não se manifestar, que a Justiça exerça também o seu papel. Se assim não for, teremos de admitir que o final de O Triunfo dos Porcos não podia ser outro: os porcos não se distinguem dos humanos e os humanos dos porcos.

Os jovens querem outro Mundo e outra Humanidade! Para isso, exigem também uma outra Política.
Publicado em "Debates Culturais".

domingo, 28 de Junho de 2009

Dois em um: poupar o ambiente e na carteira

Circulava um dia destes pela cidade, quando dei por mim a rir com uma publicidade institucional muito interessante de sensibilização para a selecção de lixo: “Eu já fui uma lata de sardinhas” ou “Eu vou ser um regador”. Pensei imediatamente na quantidade de coisas em que se tornaria todo o lixo que tão facilmente acumulamos em casa. Mas tão rapidamente este pensamento me ocorreu, como me assaltou uma questão: quem lucra com os meus gestos diários? Não me refiro ao lucro ambiental e aos naturais benefícios para as gerações futuras, mas aos ganhos financeiros.
Não sei se o/a leitor/a já pensou nisso, mas o lixo reciclável pode constituir um lucro, ao transformar-se naquela “lata de sardinhas” ou no “regador” da publicidade.

Não há muito tempo, quando tendo vivido nos países nórdicos, apercebi-me de algo que me deixou tão impressionada quanto estupefacta, pelo inédito que constituiu para mim, visto ser ainda impraticável no nosso país, ou, pelo menos, que constitua uma prática corrente. Tratava-se de uma senhora, cidadã tão comum como qualquer um de nós, que entrou para um supermercado e tirou de um saco umas tantas latas e garrafas de plástico, introduzindo-as numa máquina que lhe retribuiu em dinheiro.


Atendendo a que o lixo constitui uma matéria-prima, seria, de facto, de esperar que por ele fosse reavido o seu valor equivalente em dinheiro, ou este convertido noutros benefícios que compensassem um gesto que, afinal, pode constituir uma fonte de rendimento. (Por mim, podem converter esse valor em bilhetes de cinema e vales de compras de livros. Ou muito me engano ou uma medida destas só iria lá por meio da vontade política…) Seria uma questão de justiça social e uma forma de levar o cidadão comum ao ecoponto.


Os países nórdicos, profícuos na forma como gerem as questões ambientais, igualmente me surpreenderam em três subtis hábitos. O primeiro, a existência de pequenas casinhas onde se alojavam todos os contentores do lixo, permitindo manter a área circundante mais limpa, e munir os habitantes de toda a variedade possível de contentores, evitando, ao mesmo tempo, o vandalismo por estranhos. O segundo, lojas de roupa em segunda-mão como nunca pensei que pudessem existir à face da terra, ou um novo “design” de estilistas que marcam pela originalidade. Era verdadeiramente interessante, e chegava a ser cómico, ver como as ditas lojas se apinhavam de gente, sobretudo na época das promoções! O terceiro, e o que mais me espantou pelo carácter comunitário, foi o uso comum de máquinas de lavar a roupa. Imaginem-se a alugar um apartamento e a preencherem, todas as semanas, uma lista com o vosso nome para lavarem a roupa!


Lixo para reciclar trocado por dinheiro, roupa reutilizada e máquina de lavar a roupa, comum aos habitantes de um prédio, podem parecer-nos hábitos muito, muito estranhos, mas são formas de reduzir, de reutilizar, de reciclar e de reparar eficazes.


O português, pobre com mentalidade de rico, desperdiça formas de poupar o ambiente e de poupar na carteira. Talvez a crise nos faça mudar. Há sempre males que virão por bem…

Publicado no Jornal da Barreira (27 de Junho de 2009)
Publicado também aqui.

sábado, 20 de Junho de 2009

Chamemos-lhe "Amor"

É extraordinária a forma como estes pais falam do seu filho "diferente":

sábado, 23 de Maio de 2009

Uma discussão importante a não perder

'A família deve ser responsabilizada pelo comportamento escolar dos filhos?'

Ver aqui.

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Lixo mental

Vivemos num tempo que, tendo muito cuidado com o que mete no estômago e pulmões, não dá atenção ao que mete no cérebro. A cada passo ouvimos recomendações sobre saúde, alimentação e ambiente, multiplicam-se os produtos dietéticos, actividades saudáveis, locais sem fumo.

Ao mesmo tempo todos passam horas a absorver o pior lixo mental na televisão, computador, livros e revistas.
Filmes boçais, sites infames, programas idiotas, revistas escabrosas, videojogos obscenos, séries imbecis constituem a dieta intelectual dos cidadãos, tão conscientes da sua saúde física. Na ficção como nas notícias, a violência extrema, pornografia descarada, egoísmo, gula, desonestidade são produtos comuns.

Assim é inevitável a descida ao abismo espiritual a que se assiste. Sabemos bem que se não tivermos cuidado com a nutrição e não atendermos aos equilíbrios ambientais cairemos na obesidade e a poluição será avassaladora. Não admira portanto que, recusando-nos a formular orientações para o espírito, se acabe na decadência ética e estética. Isso em nome da liberdade, que rejeitamos na saúde e ambiente.

A razão da situação é clara. Os nossos avós, sem cuidado com comida, fumo e ecologia, eram moralistas intolerantes. Nós, censurando-os asperamente, corrigimo-los cuidando do corpo e libertando o espírito. Isso foi-nos fácil porque, afinal, os erros sanitários e a ditadura moral em que nos educaram não eram tão graves que nos impedissem de reagir. Os nossos netos saudáveis terão muito mais dificuldade em recuperar da porcaria intelectual em que nós os educámos.

João C. das Neves

Texto daqui.

domingo, 17 de Maio de 2009

Melhor curta metragem do Festival de Berlim

sexta-feira, 1 de Maio de 2009

A péssima fé

Sou ateu (por convicção), assisti a duas missas (por favor) e nunca falei com um padre (por acaso). Por isso acho graça a certas pessoas que fazem questão de exibir desprezo pelas opiniões da Igreja e passam os dias a escrutinar as opiniões da Igreja, de modo a dedicar-lhes fúria ou galhofa. E desprezo, claro. Imagino que, à semelhança de uma temporada num spa, o exercício tenha efeitos retemperadores. Desde logo, permite aos iluminados pela descrença confrontarem o seu "progressismo" com a tradição religiosa e sentirem-se imensamente "modernos", "racionais" e, vamos lá, superiores. É por isso que essa gente aguenta calamidades sem se distrair do essencial: se Lisboa sofresse um terramoto de magnitude oito, os fundamentalistas ateus estariam no meio dos escombros, a criticar nos respectivos blogues as últimas declarações de um bispo qualquer sobre a homossexualidade. Não conheço católicos assim atentos à doutrina eclesiástica. Ainda há dias, as notícias de que a economia nacional afocinhou para níveis quase inéditos foram, em alguns meios, ignoradas em favor de uma frase do cardeal patriarca acerca dos contraceptivos. Disse D. José Policarpo: "O preservativo é falível". Num ápice, as caixas de comentários on line encheram-se de comentários furiosos com a irresponsabilidade e o reaccionarismo do homem. Inchados com o seu íntimo esclarecimento, nenhum dos comentadores desmentiu um simples facto: o preservativo é falível.A polémica, aliás, limitou-se a reproduzir à escala caseira a anterior polémica global que envolveu o Papa. O Papa disse: "Combater a sida (em África) com preservativos pode agravar o problema." Seguiram-se indignação, protestos e acusações de que Bento XVI aspira ao extermínio dos africanos. Nenhum dos indignados ouviu as inúmeras vozes locais que invocaram especificidades (culturais, económicas, sexuais, clínicas, etc.) para defender uma tese (naturalmente discutível): combater a sida em África com preservativos pode agravar o problema. E, de qualquer modo, ninguém notou a irrelevância de tudo isto num continente em que os próprios políticos (e as políticas que produzem) chegam a recusar a existência de doenças venéreas. Na África do Sul, onde vive quase um terço dos africanos infectados com Sida, o presidente recém-eleito viu-se em 2006 julgado por violação de uma portadora de VIH. Acabou absolvido e a proclamar que o vírus mal contamina os homens e que, se contaminar, sai com um duche. Já o antecessor de Jacob Zuma, Thabo Mbeki, negava o vírus e nomeava ministras da Saúde avessas a medicamentos e crentes nas virtudes curativas do alho e do limão. Talvez a sida se resolva mesmo com alho e limão, não sei. Sei que muitos profissionais da racionalidade não condenam o ANC, dono e senhor do território, pelo genocídio calculado de que acusam com furor uma religião sem poder real e seguida (ou "seguida") por 7% dos sul-africanos. Exotismo? Paternalismo? Oportunismo? Ideologia? Mandela? Seria útil perceber o critério que decide entre a aflição humanitária e a indiferença, mas suspeito tratar-se, ironicamente, de uma questão de fé. Boa ou má-fé, de acordo com o ponto de vista.
Alberto Gonçalves Sociólogo, DN, Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

terça-feira, 28 de Abril de 2009

Doze anos obrigatórios

A noção de "escolaridade obrigatória" aplicava-se aos pais que não estavam dispostos a dispensar os filhos de trabalhar
O Governo acaba de aprovar a lei que estabelece a escolaridade obrigatória de 12 anos. Há muito que se esperava e estava anunciada pelos programas deste e de anteriores Governos. Aliás, a medida tinha já sido aprovada por um governo do PSD, mas, no trânsito entre Barroso e Santana, o Presidente da República, Jorge Sampaio, não tinha homologado o decreto-lei. Ao mesmo tempo, o Governo anuncia uma decisão de aumentar o número de bolsas de estudo para os alunos que tenham dificuldades económicas em frequentar o ensino secundário. Esta medida não suscita objecções de maior. Uma escolaridade de 11 a 13 anos é geralmente considerada como adequada e necessária. Há já muito que em Portugal deveria vigorar esta norma. Aplauso, pois. Mesmo considerando que a noção de "escolaridade obrigatória" é obsoleta. Na verdade, esse imperativo aplicava-se aos pais que, desde o século XIX, não estavam facilmente predispostos a dispensar os filhos de trabalhar. Hoje, a educação é mais um direito social do que uma obrigação. Admita-se, todavia, que a escola compulsiva ainda faz sentido.
O alcance deste novo regime é moderado. Com números de hoje, serão cerca de trinta mil os alunos que, em condições normais, virão aumentar a frequência do secundário. O universo actual deste ensino, em todas as variantes, incluindo a profissional, é de mais ou menos 350.000 (segundo os jornais, o Governo diz que são apenas 307.000, para uma capacidade de 330.000; as estatísticas oficiais dizem 335.000 só no continente). Mesmo assim, a decisão justifica-se. Já o modo como foi preparada a reforma deixa a desejar. Não foram tornados públicos estudos preparatórios relativamente aos custos, à reorganização e às necessidades de instalações, docentes e outro pessoal. Os responsáveis do ministério disseram publicamente que não pensavam que houvesse necessidade de aumentar os recursos humanos, financeiros e físicos. Sem mais. Aprovada a lei em 2009, só se torna efectiva em 2013. Isto é, só os alunos que no presente ano iniciarem o sétimo virão a ser abrangidos pela obrigatoriedade de prosseguir estudos a partir de décimo.
Com uma legislatura de quatro anos completos a chegar ao fim, as circunstâncias desta aprovação tardia são estranhas. Com um prazo diferido como este, não se percebe por que não foi aprovada a lei em 2006. Já hoje estaria totalmente em vigor. Mas a existência desse prazo é também discutível. Com um ou dois anos de preparação rigorosa, a aprovação da lei poderia ter efeitos imediatos: logo nesse ano, os alunos que terminassem o básico seguiriam todos para o secundário. Não é de excluir que, mais uma vez, tenha sido o ano eleitoral responsável por estas decisões fora do tempo e aquém do modo. Sem o esforço de preparação e sem a organização rigorosa, fica o mérito da decisão. Sem, realmente, justa causa.
As deficiências na preparação surgem de todos os lados. O facto de não se conhecerem as implicações reais deste alargamento é já bastante. É uma antiga tradição. A feitura das leis é, em Portugal, pouco rigorosa e pouco competente. Se forem leis de carácter essencialmente administrativo e jurídico, são preparadas em gabinete, ao milímetro, com recurso a este talento nacional que é o do regulamento. Podem passar completamente ao lado da sociedade e da realidade, mas são minuciosas. Se forem leis que tratam de dinheiro grande, são feitas nos escritórios dos grandes advogados, servem para o que servem, aplicam-se ao que se devem aplicar. Todas as outras, com implicações sociais e económicas vastas e profundas e que afectam toda a população, são geralmente malfeitas, incompletas, sem estudos preparatórios capazes ou, quando estes existem, com estudos secretos e confidenciais. Um dos resultados desta tradição é a multiplicidade de leis sucessivas, de correcções, de rectificações e de interpretações que transformam os sistemas normativos em selvas tropicais.
O governo "julga" que não vão ser necessários edifícios, equipamentos, recursos financeiros e docentes. Julga! Não é uma maneira de gerir o maior departamento do Estado. A criação do limite de 18 anos sugere imediatamente um problema: a idade de acesso ao mercado de trabalho é de 16 anos! Há aqui qualquer coisa que não bate certo. O Governo "pensa" que não. Pensa! E que dizer dos alunos de 18 anos feitos a quem falta um ano de escolaridade no secundário? O Governo "entende" que não há problema. Entende! Quem são estes trinta mil alunos que vão ser abrangidos? Trabalham? Onde? Em quê? Por que saíram do sistema? São pobres? Incompetentes? Incapazes de estudar? Sem apoios familiares? O Governo não sabe. Se sabe, não diz. Mas vai fazer qualquer coisa. Quer dizer, vai dar dinheiro. Parece ser a única coisa que ocorre ao Governo: dar dinheiro. Que vai o Governo fazer com os que já fizeram 18 anos, mas ainda estão por exemplo a acabar o básico? Não sabemos. Será que o Governo mandou estudar seriamente as razões concretas do abandono no fim do básico e no secundário? Que se saiba, não. Teve o Governo a preocupação de investigar esta população que abandona a escola? Tem algum conhecimento, não apenas uma ideia, das consequências desta entrada na escola de umas dezenas de milhares de alunos renitentes, de jovens que já trabalham ou de adolescentes cujos pais não ajudam? As declarações dos governantes sugerem que têm mais palpites.
Esta teria sido uma excelente oportunidade para repensar o ensino secundário, a sua função e a sua natureza. Poder-se-ia ter examinado o ensino profissional equiparado ao secundário, dando-lhe mais importância. Era uma ocasião excelente para revigorar o ensino tecnológico, que este Governo promoveu, é certo, mas que espera pela definição de uma vocação forte e de uma missão de longo alcance. Teria sido possível rever questões fundamentais como sejam a duração do secundário ou a organização curricular que, actualmente, deixa muito a desejar. Era a altura ideal para apreciar serenamente a articulação do secundário com o ensino superior, tanto politécnico como universitário. Era uma grande oportunidade, era. Mas já não é.
António Barreto, 26-04-2009, in Jornal Público

segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Ler faz bem à saúde

Estilos de vida saudável com leitura Revelam médicos de Coimbra

A prática da leitura de livros parece ajudar as pessoas na adopção de um estilo de vida mais saudável, conclui uma investigação realizada em dois centros de saúde de Coimbra.
A investigação, realizada pelos médicos Rosa Costa e Rui Macedo, concluiu igualmente que as pessoas que lêem livros conseguem gerir melhor as suas doenças, assim como entender melhor a mensagem dos médicos.Os dois especialistas de Coimbra apresentaram os resultados do estudo na semana passada no decorrer das comemorações do Dia Mundial do Livro, na Feira do Livro de Coimbra. Os médicos explicaram que existe uma boa relação entre os níveis de literacia das pessoas com o nível da saúde, refere a Lusa.O estudo foi realizado em pacientes dos centros de saúde da Fernão de Magalhães e de S. Martinho do Bispo, na cidade, entre os dias 2 e 11 de Março.

Daqui.