sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
PRIORIDADE DA EDUCAÇÃO
PRIORIDADE DA EDUCAÇÃO terça-feira, 10 de Novembro de 2009
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
LER DEVIA SER PROIBIDO
LER DEVIA SER PROIBIDO
Guiomar de Grammon
A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-3.
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Nunca nos esqueçamos de que é preciso toda uma Aldeia para educar uma criança
Há uma certa nostalgia que associa os jovens à luta ambiental. O facto de a causa em Portugal ser relativamente nova, de aqueles serem os principais protagonistas na publicidade institucional relativa ao Ambiente, de as escolas serem um dos principais locais para o alerta ambiental e das expectativas que todos depositamos neles são talvez alguns dos factores que fazem dos jovens uma espécie de “Santos do Ambiente”. Nada mais falso. Sei (porque vi e outros o constataram), que para muitos jovens, na freguesia da Barreira, escusavam de existir ecopontos, pois não serviriam para nada. De facto, insistem em levar para o contentor do lixo comum todo aquele que é passível de ser seleccionado e reciclado (uma coisa tão simples e tão banal!).Muito do que aprendemos, fazemo-lo por imitação. Com efeito, as crianças batem, porque vêem bater, dizem palavrões, porque os ouvem, são egoístas, porque não vêem partilhar; mas também ajudam, se virem ajudar, cumprem com os seus deveres, se virem outros cumprir com os seus, cuidam, se virem cuidar.
Para além da imitação, é importante que se louvem os bons comportamentos e que se chame a atenção para os maus. Não sei por que infeliz “revolução social”, deixou de se chamar a atenção das crianças ou dos jovens para os maus procedimentos! Muitas são as pessoas de idade que se queixam com frequência de que «dantes é que havia respeito» e que são capazes de se manifestar. Na verdade, vejo, com mais frequência, que são os de mais idade a recriminarem más acções ou faltas de respeito do que adultos de meia-idade...
Ninguém se deve de coibir de chamar a atenção dos mais novos para acções incorrectas, apelando ao bom senso, ao bem comum, a princípios que nos envolvem socialmente, à responsabilidade e ao respeito pelo Próximo. Ninguém deve, inclusive, deixar de apelar ao próprio exemplo. É, pois, célebre a frase de Joubert: «As crianças têm mais necessidade de modelos do que de críticas.». Estranho é que muitas vezes se ouça «Faz o que eu digo e não o que eu faço.».
Num dia de praia, quando me preparava para abandonar o areal, pareceu-me ver sair do meio de um grupo de crianças entre os seus 9 e 14 anos, no máximo, fumo de cigarro. Estarreci. A fumar? Menor de idade? Num sítio tão visível e tão público como uma praia? Aproximei-me para me certificar. No meio do grupo, um rapazito fumava despreocupadamente. Pedi-lhe que apagasse de imediato o cigarro e relembrei-lhe os perigos nefastos do tabaco. Descobri que, face à dificuldade que os menores têm em arranjar tabaco, depois da nova legislação, quem lhe dera os cigarros tinha sido o pai. Mais palavras para quê?!
Há uns meses fiz o mesmo com um rapaz e uma rapariga que iam pela rua a dizer palavrões e que nem a entrada num café bem frequentado lhes alterou o vocabulário. Não é muito confortável chamar a atenção para casos como os citados quando, de repente, temos dezenas de pares de olhos apontados a nós. Apesar disso, até agora, ninguém reprovou as minhas chamadas de atenção. Consentimento? Provavelmente.
Em questões de Ambiente, há jovens que ensinam os mais novos, mas também há mais velhos a terem de ensinar os mais novos. A aprendizagem deve ser social e mútua. É como uma cadeia que, se alguém quebra, se desmorona e deixa de ter efeito.
O ditado de origem nigeriana é antigo: é preciso toda uma Aldeia para educar uma criança. Comecemos nós, adultos, a melhor das pedagogias: sejamos nós a dar o exemplo, que o resto virá certamente por acréscimo. Tenho a certeza de que no contentor do lixo comum deixará de haver tanto lixo passível de ser reciclado.
Barreira.net (Setembro de 2009)
quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Estagiários são escravos de colarinho branco
Para Natália Alves, socióloga e professora auxiliar na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, concluir um curso como o de Direito, que até há pouco tempo era de cinco anos, "e ainda ter mais dois anos em que se trabalha a custo zero" leva os jovens "a protelarem os seus projectos de vida".
"É, de alguma forma, manter a vida em suspenso", assinalou, considerando que não pagar aos estagiários sob o pretexto de que estão num contexto de formação "é uma exploração da mão-de-obra", pois, no caso do Direito, "se é certo que eles não são tão produtivos como um advogado com experiência, a verdade é que eles produzem".
Natália Alves, que lecciona e investiga nas áreas de Sociologia da Educação e Formação de Adultos, opõe-se também ao argumento de que a entidade que acolhe os estagiários "lhes está a fazer um favor" por estes necessitarem do estágio para exercerem profissões regulamentadas como Advocacia, Arquitectura, Engenharia, Jornalismo.
"Por mais desqualificadas que sejam as funções, o facto é que eles estão realmente a trabalhar", destacou, lamentando que muitos estagiários fiquem "completamente enredados numa teia da qual se torna difícil sair".
Membro da unidade de Investigação e Desenvolvimento de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, Natália Alves questionou ainda o facto de - como sucede em algumas sociedades de advogados - 15 licenciados estarem a estagiar em simultâneo.
"O estágio é suposto ser um período de formação e uma sociedade [de advogados] que tem 15 licenciados ao mesmo tempo é duvidoso que consiga assegurar a qualidade da formação", sublinhou a socióloga.
"A palavra exploração, com todo o seu sentido e significado, é a que melhor se adequa a estas situações. É uma exploração de colarinho branco e nem mesmo me repugna o uso do termo escravatura", concluiu.
Também Elísio Estanque, investigador do Centro de Estudos Sociais, laboratório associado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, se afirmou apreensivo com a condição dos estagiários.
Para o investigador, esta situação "insere-se no problema mais geral da precariedade crescente no mercado de trabalho" e é "o reflexo de culturas de prepotência e de abuso de poder".
Em declarações à Lusa, Elísio Estanque assinalou que a utilização abusiva de um período que devia ser de formação pode estar também relacionada com "clivagens entre 'status' académicos de grande valor simbólico - o dos estagiários - e baixas qualificações/formação de chefias e sectores ainda relativamente estáveis".
"Isso faz com que se descarregue alguma frustração sobre o jovem estagiário e inexperiente", afirmou.
O estagiário, por ser "aquele que mais precisa dessa pequena experiência - mesmo sendo frustrante - para acrescentar uma linha ao currículo que pode dar acesso ao tão sonhado emprego", acaba por ser "o elo mais fraco", na opinião do sociólogo, que coordenou o programa de doutoramento em Relações de Trabalho, Desigualdades Sociais e Sindicalismo.
Elísio Estanque considera que, "num cenário de incerteza e de pessimismo face ao futuro, as empresas tentam proteger-se aproveitando os recursos mais à mão e menos dispendiosos" mas essa situação é passível de gerar "insatisfação, mal-estar e desmotivação pelo trabalho, acentuando o pessimismo e também o individualismo negativo suportado por sentimentos de ansiedade e de medo".
"Se a aposta na formação e qualificação dos portugueses vier a ser levada a sério, é necessário que isso se conjugue com boas práticas na liderança das instituições/empresas e que estas passem a orientar-se para proporcionar aos empregados e também aos recém-formados (estagiários) o acesso a uma efectiva estabilidade e oportunidade de carreira perante o mérito e a competência demonstradas", declarou.
Lembrando que "o acesso ao emprego e o exercício profissional continuam a ser o eixo principal de conquista de respeito e dignidade social, além do meio insubstituível para garantir subsistência e autonomia económica", o investigador apontou a existência de novas formas de "servilismo e dependências laborais".
O problema atinge "um amplo leque de situações e categorias sócio-profissionais" e, "se não for travado e interdito rapidamente, pode redundar em novas formas de rebelião e revoltas de consequências imprevisíveis", antevê.
"Em termos políticos, tais situações põem em risco a consolidação da cidadania, o que, aliás, vem acontecendo, levando as camadas mais jovens ao desinteresse pela vida cívica e política", rematou.
Ainda vamos sentir saudades

sábado, 10 de Outubro de 2009
quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Realmente...
sábado, 22 de Agosto de 2009
sábado, 8 de Agosto de 2009
URGE UMA NOVA POLÍTICA, PARA UM MUNDO NOVO
Vem esta fábula política muito a propósito de uma petição dos bispos brasileiros, já com mais de um mês, contra a corrupção, onde apelam à justiça, à honestidade, à transparência e à vontade de servir o bem-comum.
É constrangedor que valores como os citados precisem de ser apelados, em pleno século XXI! Não serão o Bom-Senso e a Ética guiadores da nossa acção? Se não são, em que anarquia andamos engendradamente metidos?
Faço votos de que, com as próximas eleições, em Portugal (e já agora, no Brasil), os políticos façam os Cidadãos merecer a sua confiança, ao menos aquela de os fez levar às urnas. Se não acreditarmos em quem elegemos e os próprios políticos não se fizerem merecedores dessa confiança, porque haveremos, nós, simples cidadãos, de cumprir com os nossos deveres?
Sejamos, pois, todos, cumpridores do dever (ético) que cabe a cada um. E, em caso de isso não se manifestar, que a Justiça exerça também o seu papel. Se assim não for, teremos de admitir que o final de O Triunfo dos Porcos não podia ser outro: os porcos não se distinguem dos humanos e os humanos dos porcos.
Os jovens querem outro Mundo e outra Humanidade! Para isso, exigem também uma outra Política.
domingo, 28 de Junho de 2009
Dois em um: poupar o ambiente e na carteira
Circulava um dia destes pela cidade, quando dei por mim a rir com uma publicidade institucional muito interessante de sensibilização para a selecção de lixo: “Eu já fui uma lata de sardinhas” ou “Eu vou ser um regador”. Pensei imediatamente na quantidade de coisas em que se tornaria todo o lixo que tão facilmente acumulamos em casa. Mas tão rapidamente este pensamento me ocorreu, como me assaltou uma questão: quem lucra com os meus gestos diários? Não me refiro ao lucro ambiental e aos naturais benefícios para as gerações futuras, mas aos ganhos financeiros.Não sei se o/a leitor/a já pensou nisso, mas o lixo reciclável pode constituir um lucro, ao transformar-se naquela “lata de sardinhas” ou no “regador” da publicidade.
Não há muito tempo, quando tendo vivido nos países nórdicos, apercebi-me de algo que me deixou tão impressionada quanto estupefacta, pelo inédito que constituiu para mim, visto ser ainda impraticável no nosso país, ou, pelo menos, que constitua uma prática corrente. Tratava-se de uma senhora, cidadã tão comum como qualquer um de nós, que entrou para um supermercado e tirou de um saco umas tantas latas e garrafas de plástico, introduzindo-as numa máquina que lhe retribuiu em dinheiro.
Publicado no Jornal da Barreira (27 de Junho de 2009)
sábado, 20 de Junho de 2009
sábado, 23 de Maio de 2009
quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Lixo mental
Ao mesmo tempo todos passam horas a absorver o pior lixo mental na televisão, computador, livros e revistas.
Filmes boçais, sites infames, programas idiotas, revistas escabrosas, videojogos obscenos, séries imbecis constituem a dieta intelectual dos cidadãos, tão conscientes da sua saúde física. Na ficção como nas notícias, a violência extrema, pornografia descarada, egoísmo, gula, desonestidade são produtos comuns.
Assim é inevitável a descida ao abismo espiritual a que se assiste. Sabemos bem que se não tivermos cuidado com a nutrição e não atendermos aos equilíbrios ambientais cairemos na obesidade e a poluição será avassaladora. Não admira portanto que, recusando-nos a formular orientações para o espírito, se acabe na decadência ética e estética. Isso em nome da liberdade, que rejeitamos na saúde e ambiente.
A razão da situação é clara. Os nossos avós, sem cuidado com comida, fumo e ecologia, eram moralistas intolerantes. Nós, censurando-os asperamente, corrigimo-los cuidando do corpo e libertando o espírito. Isso foi-nos fácil porque, afinal, os erros sanitários e a ditadura moral em que nos educaram não eram tão graves que nos impedissem de reagir. Os nossos netos saudáveis terão muito mais dificuldade em recuperar da porcaria intelectual em que nós os educámos.
João C. das Neves
Texto daqui.
domingo, 17 de Maio de 2009
sexta-feira, 1 de Maio de 2009
A péssima fé
terça-feira, 28 de Abril de 2009
Doze anos obrigatórios
segunda-feira, 27 de Abril de 2009
Ler faz bem à saúde
A prática da leitura de livros parece ajudar as pessoas na adopção de um estilo de vida mais saudável, conclui uma investigação realizada em dois centros de saúde de Coimbra.
Daqui.




